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Onde foi que se meteu o que eu quero procurar?
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Eu fiz um blog novo. E agora eu fiz uma coisa que tenho a pretensão de chamar de conto. Eu postei o conto nesse blog novo. Magamalabares. Passa lá.
posted by JULIE KOLKER @
12:01 AM
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Quinta-feira, Janeiro 06, 2005  |
do dia em que te conheci pela segunda vez...
será que é cabível eu dizer "eu te amo"? eu amo são as palavras, acho. talvez aqueles que sabem mexer com elas, colocar numa ordem bonita, de um jeito como eu não sei fazer nem a pau... eu te amo - porque deu vontade de dizer. mesmo que seja mentira, não importa. não existe verdade nem mentira, certo? existem momentos, existem pontos de vista, existe bonito e feio, mas verdade e mentira é que nem bom e ruim, não existe. existe agradável e desagradável. no momento é agradável dizer "eu te amo". mesmo que amanhã de manhã, quando eu levantar da cama com o cabelo cobrindo o volume de um black power daqueles poderosos eu não te ame mais (e até ache uma besteira achar que te amava), quem sabe hoje à noite eu ainda consiga um sonho bonito com você dentro dele.
posted by JULIE KOLKER @
1:44 AM
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Quarta-feira, Janeiro 05, 2005  |
mas onde foi que se meteu o que eu quero procurar?
posted by JULIE KOLKER @
10:12 PM
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Sábado, Dezembro 25, 2004  |
E não foi que me deu novamente vontade de que eu soubesse escrever? Só não digo de quem foi a culpa porque ele ia ficar ainda mais cheio de si e eu não posso baixar a minha guarda - com ele sempre um pé atrás, mesmo que eu não queira, porque eu nem quero.
posted by JULIE KOLKER @
10:05 PM
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O registro de um surto em cima de um motivo ridículo. Obrigada motivo este, por me render tal surto. até que foi divertido.
O que se segue foi uma conversa no msn. (lembrando aos que têm mania de levar tudo a sério: não leve tudo que ler a sério).
Nome Censurado¿ diz:
compulsivamente ou impulsivamente??
Nome Censurado¿ diz:
=)
julie troca de nicks compulsivamente diz:
ambos
Nome Censurado¿ diz:
nem me chamou ontem né??
Nome Censurado¿ diz:
desenho importante esse...
julie troca de nicks compulsivamente diz:
é que eu não ternimei...
Nome Censurado¿ diz:
auhauahuah
julie troca de nicks compulsivamente diz:
ainda tá pela metade... humf...
Nome Censurado¿ diz:
qual o tamanho do papel??
julie troca de nicks compulsivamente diz:
não é tão importante, só é muito trabalhoso...
julie troca de nicks compulsivamente diz:
metade de uma folha normal
Nome Censurado¿ diz:
A4/2
julie troca de nicks compulsivamente diz:
é presente de aniversário pra uma pseudo-amiga minha
Nome Censurado¿ diz:
que pseudonico...
julie troca de nicks compulsivamente diz:
?
Nome Censurado¿ diz:
um pseudo desenho, para uma pseudo-pessoa...
Nome Censurado¿ diz:
isso é um pseudo-assunto
julie troca de nicks compulsivamente diz:
um desenho REAL para uma psedo-pessoa, num pseudo-assunto.
julie troca de nicks compulsivamente diz:
a única coisa real dos três é o desenho.
julie troca de nicks compulsivamente diz:
tá aqui do meu lado, dando um trabalho do cão.
Nome Censurado¿ diz:
dando um pseudo-trabalho-do-cao...
Nome Censurado¿ diz:
acho que voce precisa relaxar uns 5 minutos...
julie troca de nicks compulsivamente diz:
não. está dando um real trabalho do cão. pseudo pra você...
Nome Censurado¿ diz:
uns 5 minutos, por hora de trabalho...
julie troca de nicks compulsivamente diz:
tipo isso mesmo...
Nome Censurado¿ diz:
por que nao o faz??
julie troca de nicks compulsivamente diz:
descansar?
Nome Censurado¿ diz:
nao exatamente...
Nome Censurado¿ diz:
só mudar um pouco a atuacao do cerebro...
Nome Censurado¿ diz:
fazer outras coisas nescessarias, mas nao iguais ao desenho... durante uns 5 minutos... daí volta pro desenho...
julie troca de nicks compulsivamente diz:
não trabalho no desenho desde meio-dia de hoje...
Nome Censurado¿ diz:
tocar trompete...
Nome Censurado¿ diz:
eu sei...
julie troca de nicks compulsivamente diz:
mas to fazendo isso..
Nome Censurado¿ diz:
mas pausas sao importantes...
julie troca de nicks compulsivamente diz:
o trompete tá aqui em cima da minha cama, acabei de tocar a linha de O Vencedor
Nome Censurado¿ diz:
hum...
Nome Censurado¿ diz:
voce ta muito afobada
Nome Censurado¿ diz:
parece eu po...
julie troca de nicks compulsivamente diz:
tô afobada porque passei dois dias inteiros em função de um desenho que hoje é um pseudo-retrato de um pseudo-passado...
Nome Censurado¿ diz:
tenta fazer outra coisa ao mesmo tempo...
Nome Censurado¿ diz:
pra mim da certo...
julie troca de nicks compulsivamente diz:
faço várias coisas ao mesmo tempo, acha que não..? isso só faz com que a gente não se foque em nada. é reflexo da nossa cultura de digitalização. a dispersão, afobação, inquietude, falta de foco, irritabilidade.. porque você acha que os transtornos obsessivo-compulsivos e os diagnósticos de DDA são cada vez mais comuns hoje em dia??
Nome Censurado¿ diz:
que testamento...
Nome Censurado¿ diz:
julie troca de nicks compulsivamente diz:
eu sei, escrevi pra mim mesma, sei que não vai ter menor utilidade pra você... duvido mesmo que tenha lido com atenção...
Nome Censurado¿ diz:
num sei nao... acho que voce ta precisando desabafar alguma coisa...
julie troca de nicks compulsivamente diz:
haha... não leva a mal, não tô de bronca não, mas isso é uma coisa que eu estou aprendendo, ninguém num computador é ninguém pra dizer porra nenhuma sobre alguém num oputro computador
Nome Censurado¿ diz:
julie troca de nicks compulsivamente diz:
e o motivo da minha inquietude é vergonhoso. na verdade é vergonhosa a minha inquietude em função desse motivo.
Nome Censurado¿ diz:
todos temos vergonhas na vida...
julie troca de nicks compulsivamente diz:
haha. taí uma grande verdade.
julie troca de nicks compulsivamente diz:
"nunca conheci quem tivesse levado porrada", diria o Fernando Pessoa...
julie troca de nicks compulsivamente diz:
nenhum de nós tem vergonhas na vida, haha.
Nome Censurado¿ diz:
só pequenos fatos que fazemos questao de nao contar a ninguem...
Nome Censurado¿ diz:
quer ver um exemplo??
Nome Censurado¿ diz:
voce conhece alguem que passou dos 16 sem compartilhar dos prazeres de um beijo?
julie troca de nicks compulsivamente diz:
mas se bem que muitas das "vergonhas"de outrora agora são fashion, tão na moda...
julie troca de nicks compulsivamente diz:
conheço, por quê?
Nome Censurado¿ diz:
to surpreso...
julie troca de nicks compulsivamente diz:
você é uma delas? puxa vida, porque quer saber? confessando a minha vileza, eu não tô nem aí pra isso. pois é.
julie troca de nicks compulsivamente diz:
confessei, que tal? é duro.
julie troca de nicks compulsivamente diz:
haha, esquece o que eu falei... te peguei de pobre coitado pra querer aplicar minha aula de filosofia...
julie troca de nicks compulsivamente diz:
o egoísmo do ser humano é uma coisa viu? eu ia falar "é um 'problema sério'", mas não vou não porque nõa é problema, é simplesmente um fato. não existe bom ou mau.
julie troca de nicks compulsivamente diz:
mas egoísmo assim do tipo, desnudando a palavra, como sempre deveria ser. - Ego - ismo.
julie troca de nicks compulsivamente diz:
eu acho que esse sulfixo "ismo" determina coisas meio patológicas...
julie troca de nicks compulsivamente diz:
acho que seria mais pra ego- centrismo...
julie troca de nicks compulsivamente diz:
egocentrismo. o exemplo do egocentrismo sou eu aqui. tipo, não é que eu não esteja nem aí pra você como pareceu, mas é que no momento a única pessoa que existe no mundo sou eu.
Nome Censurado¿ diz:
tambem penso assim as vezes
julie troca de nicks compulsivamente diz:
o ego. tudo que eu to falando aqui eu estou falando para mim mesma, não é pra você. você é apenas mero pseudo-destinatário necessário (ou não), e mas uma vez eu te peço desculpas por tê-lo colocado nessa posição.
julie troca de nicks compulsivamente diz:
mas agora já foi, já era...
Nome Censurado¿ diz:
num tem probrema nao...
julie troca de nicks compulsivamente diz:
mas voltando ao fato de que a única pessoa que existe no universo sou eu, é que na verdade é isso mesmo. sou eu e o que estou sentindo e o que eu quero falar.
julie troca de nicks compulsivamente diz:
esse eu que eu tô falando não sou eu, julie kolker, viu? sou eu todo mundo. todos os eus.
julie troca de nicks compulsivamente diz:
porque a gente só conhece a gente haha...
julie troca de nicks compulsivamente diz:
estamos aprisionados em nós mesmos, como diria algum cara aí que eu esqueci quem foi...
Nome Censurado¿ diz:
realmente, tua parte utópica tem um desenvolvimento unico...
julie troca de nicks compulsivamente diz:
a cadeira só me é cognocível pelo que ela representa para MIM. pela relação que EU tenho com ela, pelo que ela pode ME oferecer...
julie troca de nicks compulsivamente diz:
mas eu nunca vou saber o que é a cadeira em si, ou para si.
julie troca de nicks compulsivamente diz:
porque a única pessoa que existe no universo inteiro sou EU!
julie troca de nicks compulsivamente diz:
assim como agora neste momento eu estou falando comigo mesma, não com você...
[nesta hora eu caí, como faço o tempo todo]
julie troca de nicks compulsivamente diz:
nossa, não me lembro como cheguei aqui...
julie troca de nicks compulsivamente diz:
como eu cheguei aqui?
Nome Censurado¿ diz:
do mesmo modo que eu cheguei aki...
Nome Censurado¿ diz:
ou que voce chegou.... por que ja que vc ta falando comigo e eu sou vc, entao vc chegou...
julie troca de nicks compulsivamente diz:
não! você não chegou em lugar nenhum, meu filho...
julie troca de nicks compulsivamente diz:
aiai.. é isso ai..
julie troca de nicks compulsivamente diz:
ó só...
julie troca de nicks compulsivamente diz:
eu caí.. mas acho que já deu...
julie troca de nicks compulsivamente diz:
foi suficiente pra eu esfriar um pouquinho...
julie troca de nicks compulsivamente diz:
que bom, acho que o motivo patético da minha inquietude já não é mais motivo.
julie troca de nicks compulsivamente diz:
a inquietude passou.
julie troca de nicks compulsivamente diz:
podemos conversar agora..
Nome Censurado¿ diz:
=D
julie troca de nicks compulsivamente diz:
tudo bem com você, Nome Censurado?
posted by JULIE KOLKER @
10:30 PM
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Sexta-feira, Dezembro 10, 2004  |
Pílula de tempo
Vê-se o tempo inteiro as pessoas falando (às vezes eu mesma falo) "-Quero que chegue logo a sexta-feira!" ou "-Que bom que já está no fim do ano!" ou "-Quero que o ano termine logo de uma vez!" e outras variações... Será que nós temos a menor noção do que estamos falando quando deixamos escapar essas exclamações desavisadas??
Estamos transformando nossa vida numa monótona , repetitiva e cansativa sucessão de segundas, terças e quartas-feiras e assim por diante... Um dia não é mais um dia, e sim uma "segunda-feira" ou "quinta-feira", por exemplo... Pois repare como os dias da semana têm uma identidade, têm uma sensação própria que a gente sente diferenciar em cada um deles...
O que dizer de "-Hoje tá com uma cara de segunda-feira!" e esse tipo de constatações absurdas ? Os dias agora têm caras e nossas vidas têm que se amoldar diariamente para encaixar dentro da moldura esquematizada para aquele dia da semana!
Tenho a sensação nítida de que a maioria das pessoas vive a vida de cinco em cinco dias... Os 'dias de semana' a gente quer que passem logo como um espaço em branco entregue às obrigações em que a gente age no "piloto automático" esperando pra voltar ao controle de nós mesmos e de nossas vontades só no esperado final de semana... A gente não vê que com isso estamos reduzindo fenomenalmente o nosso tempo de vida , e enquanto deixamos o piloto automático nos guiar, estamos agindo plenamente como os perfeitos cidadãos encaixados inofensivamente na moldura do sistema...
E mesmo que não haja essa revolta contra esse tão falado e meio obscuro "sistema", e nem vontade de fazer alguma coisa para quebrar com esses moldes, não se pode deixar-se levar por esse pensamento cansado e conformista, pois são a nossa vida e felicidade que estão em jogo...
Não consigo pensar "que bom que o ano já está acabando", porque por mais que eu anseie pelas férias e aquele período onde nos aproximamos mais do que seria o ¿livre arbítrio?, eu penso que eu não fiz nem de longe metade do que eu esperaria realizar em um ano, e se penso que ele já está acabando me sinto impotente, incapaz, incompetente e sinto que não aproveitei um milésimo do que poderia...
Eu preciso desesperadamente de um tempo para mim, só to agindo no automático há um booommmm tempo... e isso está sem sombra de dúvidas prejudicando o meu rendimento em todas as atividades da minha vida. Não só colégio e Villa-Lobos, por exemplo, mas também a minha relação com os meus amigos (que graças a deus são bastantes, mas às vezes infelizmente acaba sendo mais uma dificuldade, em função da minha falta de tempo para mim e para cada um dos outros)...
Será que no futuro vão inventar assim uns comprimidos ou umas pílulas de tempo ? tipo, 1 comprimido = 1 hora a mais no seu dia...! voilà!
E de volta à mercê do mercado! O faturamento da já gigante indústria farmacêutica sobe vertiginosamente e ela se solidifica para sempre como a maior indústria do mundo, dona do tempo de nossas vidas!
aiai... A falta de tempo já está afetando os meus miolos... alguém aí tem um analgésico...?
posted by JULIE KOLKER @
8:57 PM
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Sábado, Outubro 02, 2004  |
tá, vamos lá, admitir a pausa, mais uma vez.
Engraçado como coisas que nos deveriam estimular, às vezes têm o efeito contrário e fazem com que a gente se envergonhe da nossa mediocridade... Espero que o estímulo volte em breve... volta sim. Ou então, a cara de pau.
posted by JULIE KOLKER @
9:47 AM
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Sexta-feira, Agosto 06, 2004  |
Lá no fotolog tem um breve relato sobre o meu sentimento em relação ao fim da Fantástica Oficina de Férias da Escola Nacional de Circo... Em palavras, não em foto (apesar de estar no fotolog)... ele acabou saindo por lá mesmo e eu deixei...
Aquilo foi realmente importante pra mim. Só tive palavras pra escrever as saudades...
posted by JULIE KOLKER @
12:52 PM
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Sábado, Julho 31, 2004  |
Experiência de "quase-vida"
As mazelas da vida modena têm se encarregado de enlouquecer muita gente sã nestes dias cruéis em que vivemos, foi uma conclusão que tirei. Talvez para servir-me como justificativa para os delírios que me acometeram, certo dia.
Começaram, os delírios, numa noite estranhamente quente e abafada de outono em que eu, vítima das desgovernadas variações climáticas, não consegui dormir. Contribuíam, ainda, os barulhos incessantes da cidade, sendo o meu apartamento numa grande avenida paulistana, onde nem à meia-noite pode-se gozar da paz do silêncio e da quietude. No dia seguinte haveria importante reunião profissional - a iminência de conseguir um emprego tão inútil, desinteressante e até desgastante quanto o anterior, porém com um mais alto pagamento.
Adormeci algumas horas depois e tive um sono rápido, sem sonhos. A manhã seguinte me acordou com o canto dos passarinhos e os primeiros raios de sol que logo alcançaram a minha rede. Me espreguicei e ia me levantando quando... Hum?! "a minha rede"?? Olhei a meu redor procurando minha cama, televisão, computador e som, a paisagem já tão conhecida do meu quartinho apertado num canto do terciro andar; esperando ouvir as buzinas e ônibus matinais como harmonia para a melodia pobre do meu despertador... Mas tudo o que pude ver e ouvir foram as árvores e a mata, as ocas e os outros índios, que já despertos, se preparavam para a busca do alimento - tudo envolvido pelo som distante do riacho próximo e dos pássaros que saudavam o amanhacer. Mas foi só quando me levantei que me dei conta: Não mais me encontrava em meu próprio corpo.
De pele avermelhada, adornos nos braços, o corpo despido dos panos cruéis nos quais as pessoas das cidades se enclausuram diariamente, comecei a entender (na medida do possível) a minha nova condição.
Minha reação instintiva e imediata foi o desespero, mas este passou rápido, o ambiente não era propício para tal sentimento. As cores do mundo estavam diferentes e emanavam uma serenidade e paz de espírito que nunca fui capaz de sentir, rodeado pelo cinza estático da dinâmica paisagem urbana.
Me juntei, então, ao grupo de índios caçadores e dirigimo-nos para dentro da mata. O ar era tão leve e agradável que parecia fluir para dentro e para fora de meus pulmões, purificando-me do monóxido de carbono de cada dia na capital. Àquela hora, se tivesse acordado em meu quarto, estaria num ônibus abafado e barulhento, cheio de zumbis de rostos cansados da rotina diária, dirigindo-me para o meu suposto local de sustento. Mas na floresta, me encontrava em uma canoa, água límpida refrescando o corpo, cruzando o rio para buscar minha fonte de vida (alimento) literalmente do meu próprio esforço.
Horas depois, desfrutei de um sabor desconhecido. Talvez por ser caça crescida solta e naturalmente, sem a química ou hormônios das carnes de supermercado, ou talvez por ser fruto de meu próprio trabalho, a realização concreta do meu próprio esforço, a carne era maravilhosa. E foi dividida entre todos as pessoas da aldeia, igualmente.
Não vou descrever todos os acontecimentos daquele dia, até porque isso não seria possível. Pelo menos não de forma apropriada, pois o resto das experiências por que passei, bem como as sensações até então inéditas que experimentei, não saberia expressar nesta língua ou em nenhuma outra que eu conheça, sem que se perdesse na transcrição pelo menos metade do significado e da intensidade. Tudo o que poderia dizer é que aquele foi um dia que mudou a minha forma de ver o mundo totalmente. Ao cair da noite concluí, aquilo sim era uma vida feliz, e não a que eu aspirava com a promoção profissional. Prometi a mim mesmo, se um dia voltasse para o meu corpo, viria morar como os índios, na mata, em maior contato com a natureza e comigo mesmo. Adormeci em paz, ao som do crepitar das fogueiras próximas.
O leitor, que não é bobo, provavelmente sabe onde foi que me vi acordar no dia seguinte, e sabe que não foi naquela rede de palha com cheiro de mato... O despertador cumprira seu trabalho e me convocara de volta ao "mundo real", acompanhado das buzinas e ônibus já conhecidos. Me levantei, sacudi a cabeça e lembrei-me com gosto de tudo, tudo por que passei, mas não poderia ficar divagando... Já era tarde, o relógio chamava, iria me atrasar para a reunião...
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-> Minha última redação no colégio, era pra fazer tipo um continho como se tivesse acordado na pele de outra pessoa. Tem umas tosqueirazinhas mas eu achei que ficou bem legal no total... A parte mais pra o final ficou meio corrida, que tava acabando o espaço pra a redação... hehe...
posted by JULIE KOLKER @
7:09 PM
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Quarta-feira, Julho 21, 2004  |
(Finalmente vi o filme.
Acho que todos já viram. Quem não o fez, faça-se o favor.
Gente... Por que será que eu nunca parei pra ouvir o Cazuza antes?
Porra...
Eu acho que devia ter postado isto assim que saí do cinema, enquanto ainda soluçava, enquanto as lágrimas ainda eram frescas, e as minhas viagens sobre a vida, sobre a morte, sobre a vida e a morte ainda tavam explodindo aqui dentro...
Mas as companhias com quem vi o filme não eram muito dadas a reflexões pós-experiência-emocionante e quase foram capazes de fazer-me envergonhar pelos soluços que não contive...
As viagens se esvaíram e se encontram irrecuperáveis no momento, mas a vontade de conhecer mais sobre aquele cara ainda está aqui. A vontade de ser mais como ele, a vontade de ter e ver a vida como ele a via. Puxa, eu realmente não sabia lhufas sobre quem ele foi.
O Cazuza nunca ia ser um cara que ia viver até os 50. Ele era um cara feito de intensidade. Ele viveu de tudo muito forte e não cabia uma vida de exageros que se arrastasse até os cinqüenta. Ou ele ia perder o brilho, ou ia cair no tédio, ou ia diminuir, e não ia mais ser o Cazuza...
Ele era um cara feito de intensidade e, como não poderia deixar de ser, essa intensidade encarregou-se de dar cabo a si mesma pra não deixar um vazio quando, por algum motivo, se esgotasse...
Ele nunca ia viver até hoje uma vida como era a dele... não seria mais ele.
bem, é claro que isso foi uma interpretação minha que me veio agora... Eu pensei que isso se aplica a toda essa galera, essa geração de "heróis que morreram de overdose" e de aids também... 'Overdose', como o nome já diz, 'excesso'... Gente com uma vida igualmente intensa, que gastou-se rápido em função da quantidade de uso, por assim dizer... Incrível como alguns conseguiram fazer mesmo isso de forma tão bonita... Eu acho que hoje isso não mais é possível como foi daquela forma, naquela época. E nós que nos sentimos fora de nosso tempo assistimos a filmes como esse com aquela nostalgia que não nos pertence e voltamos para casa para colocar um disco de duas ou três décadas atrás, que pertencia a nossos pais...)
posted by JULIE KOLKER @
9:38 PM
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Domingo, Julho 11, 2004  |
Classificados
Procura-se estabilidade mental/emocional. Paga-se bem.
posted by JULIE KOLKER @
9:12 AM
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Terça-feira, Junho 29, 2004  |
Eu olho pro teclado, as minhas mãos repousam levemente sobre as teclas, sem precioná-las. Repousam. Em repouso. Eu olho para a tela do monitor. Em branco. A tensão entre os meus neurônios é tão sólida que consigo senti-la no ar que respiro. Ela se espelha e se espalha nas coisas ao meu redor, os objetos, a coisas. As coisas ao meu redor.
Realmente, eu acho que o que é 'demais' desperta uma certa raiva sim, meio que involuntária. Ou se não raiva, um outro sentimento estranho. Uma inquietação com certeza. Porque o repouso das minhas mãos refletiria um suposto repouso da minha mente, mas esta não está em repouso. Esta fervilha, depois de muitas horas em exposição ao que é 'demais'. Que instiga, incentiva, inspira, ou ao menos dá vontade chegar próxima àquilo.
E a cabeça coça, e tá tudo lá dentro. E a dificuldade está em soltar. Mas ainda antes de soltar, em expressar. Pôr em palavras, ou em código qualquer. E isso é o que é difícil, e é isso que se deve reverenciar e admirar naqueles que conseguem. Não vou me alongar numa redundância infinita, já basta por ora.
um conselho pra que o 'leitor' não tenha apenas perdido tempo ao ler este post:
Deixe-se surpreender. Pode render um dia feliz.
posted by JULIE KOLKER @
11:34 PM
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Sábado, Junho 26, 2004  |
Um dos textos mais engraçados que já li na minha vida, retirado do blog sohaclara.blogspot.com, pra quem conhece Los Hermanos morrer de rir.
VALE MUITO A PENA LER (pra quem conhece Los Hermanos, pelo menos)
>> " outra pérola do nosso colaboradoe Adolar Gangorra:
COMO SE FUDER NO SHOW DO LOS HERMANOS
Voltei para o Brasil há pouco tempo. Vivia com minha família na Inglaterra desde garoto. Estou morando no Rio de Janeiro há uns três meses e agora estou começando a me enturmar na Universidade. Não sei de muita coisa do que está rolando por aqui, então estou querendo entrar em contato com gente nova e saber o que tá acontecendo no meu país e, principalmente, entrar em contato umas garotas legais, né?
Mas foi meio por acaso que eu conheci uma garota maneiríssima chamada Tainá. Diferente esse nome, hein? Nunca tinha ouvido. Estava procurando desesperadamente um banheiro no campus quando vi uma porta que parecia ser um. Na verdade, era o C.A. da Antropologia. Uma garota já foi logo me perguntando se eu queria me registrar em algum movimento estudantil de não sei lá o que. Pensei em dizer que estava precisando cagar muito rápido, mas ela era tão gata que eu falei que sim. Tainá: cabelos pretos, baixinha e com uma estrutura rabial nota dez... Aí, acho que ela me deu um certo mole... Conversa vai, conversa vem, ela me chamou para um show de uma banda hoje à noite que eu nunca tinha ouvido falar: Loser Manos. Nome engraçado esse! Estava fazendo uma força sobre-humana para manter a moréia dentro da caverna, mas realmente tava foda. Continuamos conversando e rindo. Ela riu até bastante, mas eu, na verdade, tava mesmo rilhando os dentes porque assim ficava mais fácil disfarçar as contrações faciais que eu estava tendo ao travar o cu para não cagar ali mesmo na frente dela.
Pensando bem, eu tinha ouvido falar alguma coisa sim sobre essa banda lá na Europa ainda, mas não me lembro bem o quê. Ah, acho que vi esses caras no noticiário local dando uma entrevista. Achei que fosse uma banda de crentes tradicionalistas tipo Amish.Todos de barba, com umas roupas meio fudidas. Parecia até a Família Buscapé! Dão a impressão de ser uns sujeitos legais, mas o que me chamou a atenção mesmo foi o jeito da repórter, como se fosse a fã nº 1 deles, como se estivesse cobrindo a volta do Beatles ou coisa parecida. Não entendi esse jeito "vibrão" de trabalhar. Bom, mas se eu conseguir ficar com o bicho bom da Tainá hoje à noite, já tô no lucro! Marcamos de nos encontrar na entrada do ginásio. Rapaz, acho que tô dando sorte aqui no Brasil!
Ia ser fácil achar essa garota no meio da multidão. Ela se veste de uma maneira estilosa, diferente, bem individual: sandália de dedo, saia indiana, camiseta de alça, uma bolsa a tiracolo e o mais interessante: um óculos fininho, de armação escura, grossa e retangular, engraçados até! Depois de uns mil "Desculpe, achei que você fosse uma amiga minha.", finalmente encontrei Tainá e seu grupo de amigos. Cacete, isso sim é que é moda! Parecia uniforme de escola!
Ela me apresentou suas amigas, Janaína e Ana Clara e seus respectivos namorados, Francisco e Bento. Uma mistura de fazendeiros com intelectuais. Uns caras de macacão, óculos e de sandália de pneu e com ar professoral. Pareciam ser legais, "do bem" como eles mesmo falam... Mas que não me deram muita conversa. "Do bem", isso mesmo! Gíria nova... Todos aqui são "do bem". E que nomes tão simples! Janaína, Ana Clara, Francisco, Bento e Tainá. Nada de Rogérios ou Robertos. E eu já tava me sentindo meio culpado por me chamar Washington... Realmente estava no meio de uma nova época da juventude universitária brasileira!
Comecei a conversar com a Tainá antes que a banda entrasse no palco. Aí, acho que tá rolando uma condição até! Quem sabe posso me dar bem hoje? Ela começou a falar de música: "Quem você gosta em musica?", perguntou.
- Pô, eu me amarro no George..."
Ela imediatamente me interrompeu, dizendo alto: "Seu Jorge? Eu também amo o Seu Jorge!"
Puxa, que legal! Ela gosta tanto do George Harrison que se refere a ele com uma intimidade única! Chama ele de "Seu"! Seu Jorge! Isso é que é fã!
"Legal você já conhecer ele, hein? Eu sabia que ele ia se dar bem na Europa! O Seu Jorge é um gênio!" , ela emendou.
Pô, eu morava na Inglaterra. Como eu não ia conhecer o George Harrison? Essa eu não entendi...
Depois ela perguntou quais bandas que eu gostava. "Eu curtia aquela banda da Bahia...".
"Ah, Os Novos Baianos, né?? Adoro também!"
"Não, Camisa de Vênus! "Silvia! Piranha!" cantei, rindo.
A cara que ela fez foi de quem tinha bebido um balde de suco de limão com sal. Senti que ela não gostou muito da piada. Tentei consertar: "Achava eles engraçados, mas era coisa de moleque mesmo, sabe?" Óbvio que não funcionou... Aí, acho que dei um fora...
Depois, Tainá foi me explicando que o tal Loser Manos é a melhor banda do Brasil, etc., etc., etc., e que eles "promovem um resgate da boa música brasileira". "Tipo Os Raimundos com o forró?", perguntei. "Claro que não!", disse ela meio exaltada! Ela me falou que não se pode comparar os Los Hermanos com nada porque "eles são únicos", apesar de hoje se ter excelentes artistas já reverenciados pela mídia do Rio de Janeiro como Pedro Luis e a Parede, O Rappa, Ed Motta, Paulinho Moska, Orquestra Imperial, Max de Castro, Simoninha e Farofa Carioca. Ela mencionou também "Marginalia" ou coisa parecida. Foi isso mesmo que eu ouvi? Achei que ela estivesse elogiando eles... Esses foram os nomes artísticos mais escrotos que já ouvi, mas fiquei quieto. Fico feliz em saber isso pois quando me mudei o que fazia sucesso no Rio era Neuzinha Brizola e seu hit "Mintchura". Ainda bem que tudo mudou, né?
Só depois percebi que o nome da banda é em espanhol: Los Hermanos. Ah bom! Mas se eles são tão brasileiros assim porque não se chamam "Os Irmãos"? Quando saí daqui os nomes de muitas bandas costumavam ser em inglês e até em latim. Ainda bem que essa moda de nomes de bandas em espanhol não pegou por no Brasil!
Pelo que me lembro, ao explicar qual é a dos "Hermanos", ela usou a expressão "do bem" umas 37 vezes e disse que eles falam de romantismo, lirismo, samba, brasilidade e circo. Legal, mas circo? Pô, circo é foda! Uma tradição medieval que ganha dinheiro maltratando animais. Onde está a poesia de ver um urso acorrentado pelo pescoço tentando se equilibrar miseravelmente em cima de uma bola enquanto é puxado pelo pescoço por uma corrente e por um cara com um chicote na mão? Rá, rá, rá... Engraçado pra caralho! Na boa, circo é meio deprimente. Palhaço de circo só troca tapão na cara e espirra água nos olhos dos outros com flor de lapela e quando sai do picadeiro, vai chorar no camarim. Que merda! A única coisa legal no circo mesmo é quando ele pega fogo. Isso sim que é um espetáculo de verdade! Aquela correria toda, etc. Senti que essa galera se amarra em circo. Não faz sentido se eles são tão politicamente corretos assim, né? E os pobres animais? E eu querendo não passar em branco com a conversa com a Tainá, mas não conseguia lembrar de jeito nenhum a única coisa que eu sabia sobre a banda... Cacete...! O que era mesmo?
De repente, uma gritaria histérica! O show tava começando! O ginásio veio a baixo! Perguntei pra ela: "Eles são todo irmãos, né, tipo o Hanson?" Ela disse um "não" esquisito, como se eu tivesse debochando. Todos eles usam uma barba no estilo Velho Testamento e se chamam "Los Hermanos"! O que ela queria que eu pensasse? Após ouvir a primeira música deu pra ver que os caras são profissionais mesmo, tocam bem e são completamente idolatrados pelo público, para dizer o mínimo. Fiquei prestando atenção ao show. Tem uma influência de Weezer, Beatles e Chico Buarque. Esse aí é fodão, excelente compositor mesmo. Lá na Inglaterra conhecia uns caras que eram ligados ao movimento "Dark", como chamam por aqui. São os sujeitos que gostam de Bauhaus, Sister of Mercy, The Cure, etc. E tem a maior galera aqui no Brasil também que se veste de preto, não toma sol, curte um pessimismo niilista e se amarra nessas bandas. Mas se eles sacassem que o Chico Buarque é o genuíno artista "Dark" brasileiro. Pô, é só ouvir as músicas dele pra perceber: "Morreu na contra-mão atrapalhando o tráfego" ou "O tempo passou na janela é só Carolina não viu". "Pai, afasta de mim esse cálice, de vinho tinto de sangue" ou "Taca pedra na Geni, taca bosta na Geni, ela é boa pra apanhar, ela é boa de cuspir, ela dá pra qualquer um, maldita Geni". Tudo alegrão, né? Se eu fosse dark, só ia ouvir Chico Buarque, brother!
Tentei reengatar a conversa dizendo que achava ao baixista o melhor músico dos Los Hermanos. Ela respondeu, meio irritada: "Mas ele não é da banda!" Como eu ia saber?O cara tem barba também! Aí, não tô entendendo mais nada...
Adiante ela me disse que o cara que ela mais gostava era um tal de Almirante. Depois de alguns minutos deu pra ver que o camarada imita um pouco os trejeitos do Paul McCartney, só que em altíssima rotação. Ele fica se contorcendo feito um maluco enquanto os outros ficam estáticos. É engraçado até! Parece que ele tem uma micose num lugar difícil de coçar! E fica falando e rindo direto. Ele é o irmão gaiato do cara que canta a maioria das músicas, o tal de Marcelo Campelo, como anunciaram no noticiário local. Isso mesmo, Marcelo e Almirante Campelo: "Os Irmãos"! Legal! Já tava me inteirando! Ah, e tem também dois gordinhos de barba que estão lá também, mas devem ser filhos de outro casamento...
Tava um calor desgraçado, coisa que eu realmente não estou acostumado. Fui rapidão ao bar pra beber alguma coisa. Comprei umas quatro latas de refrigerante que era o único troço que tava gelado para oferecer para meus novos amigos: "Aí, trouxe umas Coca-colas pra vocês!" Ouvi a seguinte resposta: "Coca-cola? Isso é muito imperialista... guaraná é que é brasileiro!" Puxa, que pessoal politizado... Isso mesmo, viva o Brasil! "Yankees, go home", rá, rá! Outro fora que eu dei! Mas, pensando bem, eles não usam o Windows e o Word pra fazer trabalhos da universidade? Ou usam o "Janelas"? Dessas coisas gringas não é tão mole de abrir mão, né? Mais fácil não tomar Coca-Cola! Isso sim que é ativismo estudantil consciente! Posicionamentos políticos à parte, tava quente pra caralho, então bebi tudo mesmo sob o olhar meio atravessado de todos eles... fazer o quê?
Lá pelas tantas, começou uma música e todo mundo berrou e pulou. Parecia o fim do mundo. Logo nos primeiros acordes, reconheci o som e falei pra Tainá: "Ah, eu sei o que é isso! É um cover do Weezer! Me amarro em Weezer!" Ela olhou pra mim com uma cara indignada e disse: "Que Weezer o quê? O nome dessa música é "Cara Estranho". Já vi que não gostou de novo... Mas quem sou eu pra dizer algum coisa aqui, né? Porra, mas que parece, parece! Mas o que era mesmo que eu não consigo lembrar de jeito nenhum sobre eles? Acho que conheço alguma outra música deles... Só não consigo dizer qual...
Sabia que se eu quisesse me dar bem logo com a Tainá teria que ser entre uma música e outra pois parecia que ela estava vendo um disco voador pousar enquanto os caras tocavam. Resolvi fazer uma piada que sempre rola em shows. Quando o Campelo tava falando alguma coisa qualquer, berrei: "Filha da putaaaaaaaaaa!" Pra que? Tainá e sua milícia hermanista me deram uma cutucada na costela que me fez perder o ar! Pô, todo show rola isso! É quase uma tradição até! E é só uma piada! Aí, esse pessoal leva tudo muito a sério! Caralho... Pensei em pegar uma camisinha da minha carteira e fazer um balão e jogar pra cima, como rola em todo show, pra mostrar pra Tainá que eu sou uma cara consciente, tipo: "Aí, Tainasão, se tu quiser, eu tô preparado!", mas depois dessa vi que senso de humor não é o forte dessa galera...
O tempo tava passando e nada de eu pegar a minha nova amiguinha. Quando fui tentar falar uma coisa no ouvido dela, foi o exato momento em que começou uma outra música. Foi aí que a louca deu um grito e um pulão tão altos que eu levei uma cabeçada violenta bem no meio do meu queixo! Ela não sentiu nada, óbvio, pois estava em transe hipnótico só por causa de uma canção sobre a beleza de ser palhaço ou lirismo do samba ou qualquer sacanagem do gênero. A porrada foi tão forte que eu mordi um pedaço da minha língua. Minha boca encheu d´água e sangue na hora. Enquanto eu lutava pra não desmaiar, instintivamente enfiei a manga da minha camisa na boca pra estancar o sangue e não cuspir tudo em cima de Ana Claudia e Jandaína or something. Só que estava tão tonto com a cabeçada que tive que me segurar em uma ou outra pessoa pra não cair duro no chão. Foi quando ouvi: "Nossa, que horror! Lança-perfume! Esse playboy tá doidão de lança! Que decadência..." Lança-perfume? Cara, lógico que não! E mesmo que tivesse, todo show tem isso! Mas nesse, não pode. É "do bem". É feio ter alguém cheirando loló!! Pô, todo show que eu fui na vida tinha alguém movido a clorofórmio. Que merda...
Babei na minha camisa até o ponto dela ficar ensopada! Fui ao banheiro tentar me recuperar do cacete que tomei. Lavei o rosto e tirei a camisa. Quando voltava passei por uma galera e ouvi resmungarem alguma coisa do tipo: "...e esse mala aí sem camisa..." Porque não se pode tirar a camisa num show? Isso aqui não é só uma apresentação de uma banda? Parecia que eu ainda estava na Europa! Regulões do caralho... E, afinal, o que significa "mala"?
Estava enxergando tudo embaçado e notei que minhas lentes de contato tinham saltado pra longe com a cabeça-ariete de Tainá e esmagadas por centenas de sandálias de dedo. Lembrei que sempre levo um par de lentes extras no bolso. É uma parada moderna que eu achei lá em Londres. Um estojo ultrafino com uma película de silicone transparente dentro que mantém as lentes umedecidas e prontas para uso. Abri o estojo e peguei cuidadosamente a película com as duas mãos e elevei-a contra a luz para conseguir achar as lentes. Estiquei os polegares e indicadores, encostando uns nos outros, para abrir a película entre esses dedos. Balançava o negócio levemente, de um lado para o outro, contra a pouca luz que vinha do palco para conseguir localizar as lentes. Não estava enxergando nada direito! Quando tava lá com as mãos pra cima, fazendo uma força do caralho pra achar a porra dessas lentes, um dos caras legais com nomes simples, me deu um puta safanão no ombro. É claro que o silicone voou longe também. Caralho, minhas lentes! Custaram uma fortuna! Que filho da puta!
"Que sinal é esse que tu fazendo aí, meu irmão? Tá desrespeitando as meninas? "
"Que sinal, que sinal?", respondi, assustado.
"Buceta, palhaço!", apertando o meu braço que nem um aparelho de pressão desregulado. "Você tá no show do Los Hermanos, ouviu? Los Hermanos! Ninguém faz sinal de buceta em um show do Los Hermanos, sacou?", gritou o tal hipponga na minha cara.
Que viado, eu não tava fazendo nada! Parece uma freira de colégio! Que lance é essa de buceta? Da onde esse prego tirou isso? As meninas... (Perái! Menina? A mais nova aí tem uns 25!) ficaram me olhando com a cara mais escrota do mundo! A essa altura, já tinha percebido que não ia agarrar a Tainá nem que eu fosse o próprio Caetano Veloso! "Bento", que nome mais ridículo... Isso aqui é um show ou uma reunião de alguma seita messiânica escolhida para repovoar a Terra?
Caralho, que noite infernal. Tava com a língua sangrando, sem enxergar direito, só de calça, arrotando sem parar e puto da vida porque só tinha aceitado vir aqui por causa de mulher. Estava no meu limite. Isso era um show ou uma convenção do Santo Daime? Que patrulhamento! E, de repente, vejo Tainá e seus amigos olhando pra mim atravessado e cantando a seguinte frase: "Quem se atreve a me dizer do que é feito o samba?" Aí foi demais! Aí, eu me atrevo: Ritmo, melodia e harmonia. Pronto, só isso! Mais nada! Olha só: foda-se o samba, foda-se o circo, foda-se a obsessão por barba da família Campelo e, principalmente, foda-se essa galera "do bem" que está aqui!"
Apesar de tudo, a banda é realmente excelente! O que incomoda mesmo é esse público metido a politicamente correto e patrulhador e a imprensa que força a barra pra vender alguma imagem hipertrofiada do que rola de verdade. Esse climão de festival antigo de música popular brasileira, daqueles com imagens em preto e branco, com todo mundo participando, que volta e meia reprisam na tv. "Puxa vida, um novo movimento musical brasileiro?" "Estamos realmente resgatando a nossa cultura!" ? Ei, é só música pop! MÚSICA POP! Caralho, finalmente lembrei! Eu conheço uma música deles! Ouvi em Londres! Numa última tentativa de salvar meu filme com Tainá, na hora do bis, berrei bem alto: "TOCA ANA JULIA!" Só acordei no hospital. Tomei tanta porrada que vou ter que fazer uma plástica pra tirar as marcas de pneu da minha cara! Fui pisoteado! Neguinho ficou puto! Qual é o problema com essa música? Me lembro de estar sendo chutado pela elite dos estudantes universitários brasileiros e da própria Tainá, gritando e me dando um monte de bolsada na cabeça! Que porra louca! Tentaram me linchar! Ofendi todo mundo! Pô, Ana Julia é uma música boa sim! É um pop bem feito! Se não fosse, o "Seu Jorge" Harrison não teria gravado, né? Se ele não entende de música, quem entende? Me disseram depois que o tal Campelo se retirou do palco chorando, magoado, e o outro irmão mais novo dele, o nervosinho que imita o Paul McCartney, pulou do palco pra me chutar também. Do bem? Do bem é o cacete...
Aí, sinceramente, ainda prefiro o Camisa de Vênus...
Adolar Gangorra tem 65 anos, é editor do periódico humorístico Os Reis da Gambiarra e é filho único. " <
Retirado do blog http://sohaclara.blogspot.com/
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10:04 PM
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Quarta-feira, Junho 23, 2004  |
Puxa...!
Antes de começar, eu queria dizer que eu quase nunca posto relatos sobre acontecimentos da minha vida no blog, ou comentários sobre esses acontecimentos, mas dessa vez é necessário.
Eu realmente não sei muito bem o que dizer nem estou planejando um daqueles textões bonitos e pomposos, mas preciso declarar algo, nem que seja qualquer coisa, depois do que vivi e senti ontem. Acho que não preciso dizer o que, afinal todo mundo que vem aqui deve saber a que me refiro.
Acredito que poucas pessoas neste mundo têm que agradecer tanto por seus amigos como eu tenho... Realmente não há palavras que eu possa formar que expressem suficientemente alguma coisa do que senti ontem, então não há muito sentido em tentar escrevê-las num blog. Queria agradecer do fundo do meu coração às pessoas que estiveram lá ontem (e às que não puderam ir, mas que se fizeram presentes), agradecer pela surpresa, agradecer pelo presente maravilhoso, pelo dia maravilhoso, e pelos outros dias maravilhosos que passei em companhia de todos vocês, seres maravilhosos que me fazem crescer a cada dia, pessoas sem as quais a minha vida não teria sentido (e falo sério), meus amigos são meu porto seguro, de verdade...
Me resta desejar que cada pessoa no mundo possa ter nem que seja um tantinho da felicidade que tive ontem e que tenho todos os dias que passo ao lado dos meus amigos... Desejar que cada pessoa do mundo encontre pelo menos uma amizade tão valiosa e verdadeira, quanto as que tenho... Basta para toda uma vida...
Bem, meu tempo acabou, tou na biblioteca do colégio... tenho realmente que ir...
Amo muito todos vocês, espero que saibam disso, os que vierem aqui ler isto...
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9:54 AM
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Segunda-feira, Maio 31, 2004  |
(Não percam seu tempo lendo o que se segue.)
Os segundos passam e nossa perspectiva muda a cada um deles que se vai. Cada ângulo nos trás uma imagem tão diferente, a gente chacoalha um pouco a cabeça e de repente nem lembra mais para que ponto estava olhando. Se era uma criança sorrindo, se era um casal se beijando, se era um defunto no chão ou um cigarro se fumando, não faz diferença, tudo parece tão igual. Tão desimportante, enquanto foram há um segundo, o mundo.
Nesses dias de tic tac tic tac tic tac constante. Constante, pulsante, incessante. Fica difícil lembrar do minuto anterior. Do instante anterior.
Ontem foi em outro século, me parece. Talvez não tanto assim, mas a este mês com certeza não pertence. Nem anteontem. Nem o dia antes dele. Nem o outro que veio antes...
Acho que não funciona, né?... Ou talvez hoje é que esteja fora do lugar. Talvez funcione sim! Talvez não. Eu acho que a sensatez me obriga a pensar que não.
Às vezes a gente diz uma coisa, e até acredita piamente nela. Mas lá no fundo, lá no fundão, a gente está careca de saber que aquilo não se aplica. E a gente vai e se perde em pensamentos... sem nunca sair do lugar, porque é aquela velha história. Aqui e ali dão no mesmo. A gente pensa que está fazendo toda a diferença quando anda 10 quilômetros a pé no chão em brasa e depois descobre que teria dado na mesma, ficar no posto inicial... e acaba voltando - pelo caminho mais longo, ainda por cima. Isso quando não se perde no meio do nada...!
Porque o que a gente não sabe é que só sabemos andar em círculos! Porque a gente acha que quem faz o caminho são os nossos pés, quem escolhe a direção é a nossa cabeça, mas a gente não sabe que a nossa vontade já está feita há muito tempo... E não por nós mesmos. O caminho que a gente traça não somos nós que escolhemos, ele se anda sozinho e a gente vai feito hamster na rodinha - corre, corre, corre, acha que vai pra onde quer, mas daquele caminho a gente não sai, porque não nos cabe decidir sair ou não. É mesmo uma coisa de louco. E o pior é que eu viajei agora e com certeza não consegui passar a idéia que eu tive. Eu nunca consigo. Eu sempre viajo legal... Com certeza exagerei... Ninguém nunca vai entender o que eu digo. porque eu sou tão enrolada, não dá pra passar as idéias...
Acabei de lembrar... Há um tempo atrás. Quando eu estava no Bennett, se duvidar foi até no ano passado... No inicinho... ou no retrasado? não sei.
Eu queria que fosse possível abrir a minha cabeça para que pudessem ver o que tinha dentro. Eu desejava com todas as minhas forças que inventassem um aparelho capaz de ler mentes. Ele me aliviaria. Seria capaz de esvaziar toda a tormenta que desconcertava minha cabeça. Seria capaz de domá-los, os diabos. Aqueles diabos daqueles pensamentos que eu não era capaz de decifrar, de entender. A curiosidade inesgotável, a vontade de compreender do que é feito o mundo, e as coisas que o regem... Aquelas idéias malucas que brotavam do nada e não tinham vasão, por falta de entendimento, por falta de conhecimento. O meu desvio comunicativo nunca me ajudou quanto a isso, só fez atrapalhar. Eu precisava canalizar. Eu precisava de um duto que me ajudasse a entender o que se passava. Mas mais do que isso eu precisava compartilhar com alguém. Precisava que alguém visse que eu estava me afogando, segurasse a minha mão - e mais importante ainda - se encantasse com o que via. Precisava pelo menos que alguém me ajudasse a ver o mundo. Precisava que alguém me ajudasse a entendê-lo, daí talvez eu começasse a entender alguma coisa por mim mesma, daí talvez eu já me virasse sozinha a partir dali.
Mas ninguém nunca veio, por um bom tempo, e eu acho que fui esquecendo... A tormenta foi acalmando por falta de energia e se fez morrer. E começou o marasmo que foi o ano passado. A bonança morta, sobre o navio que afundara por falta de resgate. Foi o ano da superficialidade. O ano em que não adiantaria tentar imergir para águas mais profundas a fim de resgatar a velha gana, pois por falta de guia, ela se perderia em vão, em meio à vastidão do oceano. Foi um ano em que me mantive à tona, boiando na superfície, mesmo sem perceber isso. Foi um ano inteiro em que me deixei acalmar, para não explodir. Foi um ano pouco produtivo, mas acabou sendo o ano com mais frutos que já tive até hoje, em minha vida. Como assim? Foi um ano de preparação. Ao final dele, eu sabia que algo de bom estava por vir. Foi um ano de transição, eu precisava esfriar antes de cair no mundo, precisava pisar um pouco em terra firme e recobrar os sentidos. E o solo acabou por se preparar sozinho. A compostagem aconteceu naturalmente com as folhas que a natureza se encarregou de fazer cair. O terreno se aprumou sozinho, como que por fazer parte de um ciclo natural. E o ano passou e este de hoje chegou. Chegou quase que instantaneamente trazendo um presente. Talvez o maior presente de todos. Trazendo algo que eu sempre esperei, mas não sabia. E eu me deslumbrei. E deslumbrada eu permaneço. E o fato de ter me lembrado dessa história agora, enquanto escrevia este texto que comecei a escrever por ter voltado cabisbaixa para casa, me rendeu eu acho que a maior e melhor auto-análise acidental que já fiz na minha vida e me fez esquecer dos motivos iniciais pelos quais eu voltei cabisbaixa para casa e que me fizeram começar a escrever este texto. Que por acaso são os mesmos motivos que me fizeram esquecer os motivos pelos quais voltei cabisbaixa para casa. Que formam um ciclo interminával e só comprovam a idéia inicial de que cada segundo pode mudar nosso modo de ver uma coisa radicalmente, mas que, na verdade, apenas andamos em círculos, independente da nossa vontade.
Eu realmente não sei qual foi o ponto de ter escrito isto; não sei de onde parti, nem aonde cheguei; não sei se consegui dizer alguma coisa; não tenho a menor idéia de qual seja o meu objetivo com ele; não sei se alguém vai se dar ao trabalho de ler isso; não sei o porquê de tê-lo escrito e não sei por que motivos me sinto impelida a postá-lo no blog. Mas vou postá-lo mesmo assim, se eu ando em círculos, se minhas ações pouco importam, se amanhã ele não mais fará diferença, ou se nada do que eu possa fazer tem o poder de alterar os caminhos do mundo, foda-se o que eu fizer deste texto. Mas ele foi escrito. E será postado. E será para alguém. Alguém que se sabe alguém. Não que o fato de ser para alguém faça deste alguém uma coisa cabeluda, ou por mim causadora de problema dentro da minha atual conjuntura. (meu deus como eu falo enrolado!) É simplesmente alguém que se sabe importante. E será para sempre importante independente de qualquer pormenor relacional ou confusão que eu mesma possa criar. Apenas isso.
posted by JULIE KOLKER @
8:58 PM
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Segunda-feira, Abril 19, 2004  |
Instante de pausa.
posted by JULIE KOLKER @
9:18 PM
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Terça-feira, Abril 13, 2004  |
Droga... não mais desabafos permitidos... se este virou um blog de textos, se eu sei que ele é lido...
Estou de leve confusa.
Por que as distâncias parecem se alongar justamente quando o nosso desejo é que delas não haja...? Eu me pergunto se algo do que aqui se passa é válido... por 'aqui', entenda-se minha cabeça. Sei lá... Tudo o que sei é que nada há. E essa ausência de algo me incomoda, mas quero eu que algo haja? Não sei. Acho que sim, talvez. Talvez não. Incrível o modo como um fato isolado pode fazer-nos mudar de perspectiva tão rapidamente em relação a alguma coisa... tá bem, talvez não tão isolado... mas de que importa? Gostaria de entender o que se passa.
Por que eu sou tão ansiosa? Ainda me sinto mal... droga.
-Droga!, esse 'droga' não é meu... Por que que eu faço isso? Merda... (só para variar).
Ainda me sinto mal, de nada adianta essa 'droga'... mas por quê?
-Meu deus!, será que é só isso o que eu sei dizer?? "por quê? por quê? e por quê??"... Talvez essa constante tentativa de tentar entender o mundo não seja assim tão positiva... Só eu pra transformar tudo de simples numa rede de possibilidades fantásticas e absurdas... e dentro dela me enrolar toda.
E assim eu resto em casa, quinta véspera-de-feriado, enrolada e auto-censurada por me sentir lesada por algo que só tem de beleza.
(por favor não se dêem ao trabalho de entender algo do que disse, àqueles que não o fizeram naturalmente - creio que ninguém, não totalmente.)
posted by JULIE KOLKER @
7:01 PM
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Quinta-feira, Abril 08, 2004  |
Ah, como tudo pode ser tão simples... e tão bonito...!
Maltidos sejam aqueles que puseram as normas no mundo. As regras e estabelecimentos, o senso comum - ah, maldito seja! - a diciplina, a ordem, os padrões de comportamento e tudo aquilo que se espera de nós, "cidadãos de bem"...!
Acho que a anarquia tem realmente me encantado...
Malditas, malvistas, mal-tratadas sejam as regras e normas, viva a flexibilidade, viva a liberdade, viva a vida!
Quem foi que disse que tinha de ser assim? Quem foi que disse que a gente aprende é na escola? Quem foi que inventou a vida como ela é? Será que ele era mesmo digno de crédito?? Será que fez jus à confiança que lhe foi depositada? Porque tão poucos são aqueles que contestam hoje em dia...! Por que tão poucos são aqueles que contestam hoje em dia?? Por que será? Ah...! Não sei... Só sei que esse sacana conseguiu o que queria! Capaz de impedir a mim e a todos a minha volta de levar nossas vidas assim como bem entendermos! (talvez não a todos, que alguns ainda me ensinam a duvidar... e grata lhes amarei pelo resto de meus dias!)
Quem foi que disse que isso impede aquilo? Quem foi que castrou nossa capacidade de sentir para todos os lados?
Por que hesitar, frente àquilo que nos parece certo? Por que nos amputar em guarda de valores morais ultrapassados com os quais nem ao menos concordamos??
Quero mais é gozar da vida, fugir e dançar na chuva, não me importa o resfriado, se tiver valhido a pena...
posted by JULIE KOLKER @
9:41 PM
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Segunda-feira, Abril 05, 2004  |
E Então?
Hoje faz quarenta anos o Golpe Militar de 64.
E daí?
Pois é... E daí? E daí, o que vamos fazer? O que mudou de lá pra cá? Eu realmente não sei, sabe por quê? Porque eu sou uma adolescente alienada como a esmagadora maioria desses que hoje formamos a juventude. (Eu ia dizer a juventude brasileria, mas depois lembrei que a juventude no mundo inteiro está tão alienada, que não tem como saber quem está pior...)
Hoje lá no colégio houve uma palestra de alguns dos professores que atuaram durante a Ditadura. E eu descobri que eu não sei quase nada sobre este período tão recente da História Brasileira, que tanto deveria ser estudado, a fim de se dar conta do que nos acontece hoje em dia.
A gente é tão manipulado e não sabe... Eu estou lendo um livro sobre Propaganda Ideológica, que peguei na biblioteca do colégio... A gente, esclarecido, acha que é tão informado, que sabe de tudo... coitados de nós...
A diferença da Ditadura para cá... Durante o Regime Militar o povo se sabia controlado. Hoje o controle se exerce de forma mais sutil e, no entanto, TÃO MAIS forte... A diferença é que pelo menos uma parte da juventude se unia fortemente por sua causa.
A juventude da nossa geração que se diz tão rebelde, se diz tão esclarecida, se diz indignada e faz o quê?? NADA! N-A-D-A!!
Se isola em grupos, em tribos, em estereótipos, em guetos culturais que nos afastam, nos dividem, nos alienam, nos condicionam ainda mais e ainda nos fazem achar que somos melhores por pertencer a determinado meio social... Que somos menos alienados do que uma "patricinha" porque defendemos a liberdade sexual e usamos um cabelo colorido... Que somos mais valiosos à nossa sociedade porque usamos um blusa com os dizeres: "fora USA".
Mas de que adianta usar por usar? De que adianta fingir-se alguma coisa? Estamos longe de fazer a diferença realmente. Longe de fazer jus aos protestos justos de nossas camisas rebeldes, pois não fazemos absolutamente NADA. Ao vestir-se de indignação e olhar parado o movimento das coisas, estamos traíndo a luta, ao invés de apoiá-la!
E você aí que está lendo? o que ja fez hoje? e na última semana? e no último mês? por hora eu nem sei o que sugerir, realmente...
Mas pensemos nisso... pensemos nisso, e que cada um pode fazer uma pequena parte, mesmo que não afete o mundo, mesmo que seja algo pequeno. Por que não começamos despindo-nos de nossos preconceitos? já é um grande favor que faremos à Humanidade... Daí então podemos começar a fazer, a transformar minimamente nosso ambiente fisico, a mover nossas pequenas montanhas, a partir de nossas prórpias revoluções pessoais...
Eu gostaria de acreditar que a juventude (e com isso as gerações posteriores e tudo que delas se seguir) não está perdida, mas está muito difícil...
Espero sinceramente estar errada...
Espero um revolução...
Espero em vão...
Espero.
posted by JULIE KOLKER @
9:34 PM
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Quarta-feira, Março 31, 2004  |
olha o que eu achei por aí...! :
'"Vídeo-games não influenciam crianças. Quer dizer, se o Pac-man tivesse
influenciado a nossa geração, estaríamos todos correndo em salas escuras,
mastigando pílulas mágicas e escutando músicas eletrônicas repetitivas.'
Kristian Wilson, Diretor Nintendo Inc, 1989.
Poucos anos depois surgiriam as festas rave, a música techno e o ecstasy..."
engraçado, hehe... Mas como é que um fdp de um diretor da Nintendo tem a coragem de afirmar que os vídeo-games não exercem influências sobre as crianças... ainda mais usando este exemplo RIDÍCULO do pac-man...
É cada absurdo que me aparece...!
posted by JULIE KOLKER @
5:31 PM
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Sábado, Março 27, 2004  |
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